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Segunda, 09 Janeiro 2012 12:31

Dando tiro no próprio pé / 04.07.2006

Dando tiro no próprio pé 4.Jul.2006

José Carlos Manhabusco*

O título parece esquisito, mas com o passar da leitura os leitores verão que não se trata de nenhum absurdo. A matéria tem como objetivo a narrativa de atitudes profissionais que, na verdade deixam a desejar quanto a real finalidade de suas intenções.

Não se trata da violência armada, mas sim da falta de reflexão acerca do prejuízo futuro que a atitude pode causar no decorrer do tempo.

A concorrência em quase todas as profissões é voz corrente. Alguns profissionais se submetem a situação difícil; jornada prolongada; salário incompatível etc. É a busca pela sobrevivência.

Todavia, o profissional deve notar que na busca de um estado diferenciado ou de remuneração fixa acaba por entregar ao destino o seu próprio futuro. É que, por conta de projetos futuristas, acabam por fazer parte da desvalorização natural da própria profissão. O que se verifica é concorrência inconsciente contra o seu patrimônio cultural.

Tento falar especificamente da advocacia. O mercado já se encontra saturado em determinadas regiões e cidades. A especialização faz necessária. Os profissionais procuram melhorar os seus conhecimentos. Todavia, não é só isso que traz o diferencial no mercado.

Cursos virtuais; à distância; pela internet surgem como um raio. Advogados, estagiários, acadêmicos engrossam as fileiras das classes. Todos procurando aumentar o cabedal jurídico. Convênios são entabulados para estudantes e estagiários.

Nada contra. Porém, não comungo da experiência.

Recentemente, o Supremo Tribunal Federal julgou várias Ações Diretas de Inconstitucionalidade, sendo que, em uma delas convalidou a não obrigação da presença do advogado no Juizado Especial. Penso que devem pesquisar as demais.

Ora, da maneira como as coisas estão caminhando, não sobrará mercado para os advogados. Não haverá causas. Não haverá lugar para o exercício do magistério. Há de continuar os ataques ao combustível que move a advocacia. Com certeza deixará de existir a figura do verdadeiro advogado, isto é, aquele que vive efetivamente da advocacia.

Do que interessa ter o Estatuto da Advocacia, o Código de Ética, o Regimento Interno se os profissionais não atentam para os acontecimentos. A advocacia está sendo alvo de manipulação. A busca da estabilidade financeira em razão da ocupação de um cargo diretivo está, no fundo, causando prejuízo futuro.

Aquilo que parece ser bom no presente, poderá ser ruim no futuro. Hoje pode estar bem colocado, mas amanhã virá outro ocupar o lugar. Não acredito que isso seja a livre concorrência do mercado, pois o advogado não é um comerciante por excelência.

Advogar é uma arte. Exercer o magistério é uma arte. Dividir o conhecimento é uma arte. A busca pelo reconhecimento profissional é uma arte. O estudo do Direito é uma arte. Arte é o conjunto das normas para a execução mais ou menos perfeita de qualquer coisa; significa fazer com especialização, sensibilidade e amor.

O advogado também é responsável pela paz social, devendo atuar para que diminuam os conflitos. A conciliação é de importância capital. Entretanto, o advogado vive das causas, e essas diminuem a cada dia. Seja pela concorrência, seja pelos instrumentos tecnológicos, seja pela tentativa de sobrevivência no mercado.

De tudo o exposto, fico com a tese de que não se pode abrir mão do exercício da advocacia em detrimento de mecanismos que se apresentam como solução salvadora, utilizando-se da sensibilidade e ilusão alheia. VIVA A DEMOCRACIA!!! Obs.: Agradeço ao Sr. Beto (Pão&Cia) pelo incentivo.

*Conselheiro Estadual da OAB/MS – e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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