10 Jan

É verdade que na política vale tudo? 20.06.2006

É verdade que na política vale tudo?

20.Jun.2006

José Carlos Manhabusco*

O tema aqui tratado é melindroso e traiçoeiro. Tendo em vista alguns conceitos, resolvi produzir comentários para reflexão.

Os direitos políticos vêm consagrados e garantidos como fundamentais na Constituição Federal (artigos 14 a 17). Para conhecimento, o Tribunal Superior Eleitoral é o responsável pela regulamentação das eleições. São órgãos da Justiça Eleitoral: o Tribunal Superior Eleitoral, os Tribunais Regionais Eleitorais, os Juizes Eleitorais e as Juntas Eleitorais.

Interessante anotar que são condições para ser candidato a Presidente da República: nacionalidade brasileira, o pleno exercício dos direitos políticos, alistamento eleitoral, domicílio eleitoral, a filiação partidária e idade mínima de 35 (trinta e cinco) anos (art. 14 da CF/88). O dispositivo constitucional não trata da exigência do grau de instrução, ou seja, nível superior. Apenas faz exceção aos analfabetos. Porém, não é esse o foco da matéria.

O cidadão que deseja ser candidato a um cargo eletivo (p. ex.: vereador) deve ter em mente que receberá apoio de uns, bem assim receberá crítica de outros. O passado contará muito para o sucesso. Dizem que a liderança é atributo pessoal do líder. Também não adianta tentar fazer alguma coisa para os cidadãos antes das eleições.

O procedimento do suposto candidato é notado no decorrer dos anos, pelo que ocorre em sua própria vida. Não basta querer agradar nas véspera das eleições. Carece fazer promessas para eventos futuros. O povo não agüenta mais.

Por outro norte, determinados acontecimentos são vistos em outros segmentos da sociedade. Há um verdadeira procura pela identidade profissional. Tenta-se acompanhar as fórmulas mágicas das eleições políticas.

Nada contra a metodologia aplicada. Ocorre que, nem sempre surte o resultado desejado, pois, quanto maior a cultura do eleitor, mais difícil convencê-Io. Alguns ainda não perceberam referida metamorfose.

Acredito que possa acontecer de adversários ideológicos serem companheiros lio fim pretendido. Sobretudo se ambos pretendem os mesmos objetivos, qual a razão de não se ajudarem? Lembro que obenefício é para comunidade, ou mesmo um órgão de classe.

O processo deve ser exercitado no limite do Estado Democrático de Direito.

Não se imagina que pessoas formadoras de opinião possam contribuir para o comprometimento da democracia. Adversários sim, inimigos jamais. As propostas fazem parte da plataforma política, sem exagero ou imaginações. O eleitor, com certeza, fará a opção pela melhor proposta dentro de uma realidade atual, e não virtual.

O ataque infundado, sem amparo em fato verídicos, deve ser afastado dos discursos. A busca pelo desgaste pessoal, sem repercussão para vida política ou diretiva, não contribui em nada para o processo democrático. Criticar por apenas não gostar não leva a nada, quando muito, a demonstração de sentimentos outros.

O que pleiteia a reeleição pode apresentar prestação de contas de sua administração ou do cargo e da função exercida. Levar ao público tudo aquilo que realizou é questão de honra. Da mesma forma em que, deixar para trabalhar no último ano de administração não é bem visto pelos eleitores.

De qualquer maneira, tantos os eleitores como os componentes das entidades de classe sabem o que foi feito e o que se deixou de fazer. A tentativa de mascarar o que deixou de se fazer é inócua. A luta pela independência e o respeito a dignidade profissional deve ser norte em qualquer administração. Igualdade, sem submissão.

Usurpar o poder constituído nunca foi o caminho para se obter a liderança. Imposição é ato ilegítimo e atentatório a construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

Liderança não se confunde com poder econômico, nem com espaço físico. VIVA A DEMOCRACIA!!! Obs.: Sr. lcto (Campo Grande) obrigado pelo incentivo.

*Conselheiro Estadual da OAB/MS - E-mail: manhabusco@hotmail.com

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