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Falta de Respeito 18.04.2006

Falta de Respeito 18.Abr.2006 | José Carlos Manhabusco

Pretendo abordar duas questões que, ao meu ver, merecem ser recordadas.

A primeira diz respeito ao tratamento das pessoas integrantes de um mesmo grupo social ou profissional.

É tradição na educação que ao recebermos pessoas em nossa "casa" façamos a apresentação dos demais componentes daquele agrupamento familiar ou profissional. À prática faz parte do respeito as regras de trato social, sem o qual, certamente, seremos rotulados e taxados de mal educados.

De certa forma o procedimento pode ser visto como uma estratégia de defesa, pois a presença de eventuais estranhos pode significar perigo aos objetivos traçados pelas supostas lideranças.

Todavia, o fenômeno ocorre de maneira isolada, isto é, não é visto e praticado por todas as sociedades. Vale lembrar que, se inexiste consideração com os representantes legítimos, que dirá com os participantes, sem nenhum poder de decisão?

A reflexão torna-se necessárias para demonstrar que o ser humano, ainda não sabe viver em grupo sem tentar tirar proveito de sua posição social, econômica, profissional, não resistindo ao convívio com outras pessoas capazes de cumprir de maneira correta os mesmos ideais.

No tocante a segunda questão, trata-se da utilização da máquina pública para promoção dos interesses privados e individuais.

Quando falo de máquina pública, também desejo fazer menção a coisa pública de um modo geral, e não apenas em nível de órgãos ou repartições públicas.

A utilização dos instrumentos e bens pertencentes a uma comunidade, sociedade, instituição, órgão de classe etc., para promoção pessoal, não é só falta de ética, como igualmente abusivo e deselegante.

O dirigente deve ter realizado a missão com sucesso, cumprindo à sua obrigação, seja estatutária, seja regimental, objetivando o interesse da coletividade, jamais o individual.

A busca pelo destaque pessoal atenta contra os pilares da própria democracia, na medida em que fere o princípio da igualdade ou isonomia. Evidentemente que o detentor do poder terá maiores recursos e meios para realizar a divulgação de seus anseios.

O respeito ao direito à dignidade da pessoa humana e ao estado democrático de direito deve ser obrigação de todos, independentemente de classe e poder.

Conselheiro Estadual da OAB. E-mail: manhabusco @hotmail.com

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