04 Abr.

DIREITO GARANTIDO: exigência de custas para ajuizamento de nova ação esvazia princípio do acesso à Justiça

José Carlos Manhabusco, fundador da banca MANHABUSCO ADVOGADOS , em mais uma oportunidade os integrantes do Tribunal Regional do Trabalho do Distrito Federal e do Tocantins, demonstraram a sensibilidade na interpretação da garantia constitucional do acesso à Justiça. No  particular, o dispositivo da reforma trabalhista deve ser afastado, segundo os julgadores. Veja o resumo do julgamento, conforme informações do TRT da 10ª Região:

A requisição de cobrança processual é justamente gratuita para o exercício de uma nova ação de trabalho, depois de uma extinção da demanda anterior, o que faz com que o maior acesso a justiça, garantido pelo Direito Internacional do Trabalho. Com esse argumento, a segunda seção Especializada do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região, por maioria dos votos, concedeu um mandato de segurança ao exercício da nova ação e uma demanda pelo pagamento das custas.

"Consta dos autos que ajuizou uma taxa trabalhista, mas teve uma demanda extensa para se tornar titular da audiência. O profissional destacou que, ao ajuizar nova ação, o magistrado exigiu o recolhimento das custas a uma demanda anterior para o trabalhador, então , recorreu ao TRT10 contra dados para o magistrado em primeira instância da CLT - Lei 13.467 / 2017 - viola principio constitucional do acesso à justiça.

Razão de ser

Depois disso, o relator do caso, o desembargador Grijalbo Fernandes Coutinho, levou o caso da 2ª Seção Especializada. Em seu voto, lembrou que é o direito de acesso ao tratamento hipossuficiente. A criação da Justiça do Trabalho tem o direito à facilitação do acesso à justiça, o que inclui a noção do direito de postular (jus postulandi) e de assistência gratuita. Esse princípio, dito o desembargador, "é o próprio julgamento ea razão de ser desta Justiça Especializada".

Para o relator, uma novidade trazida pela reforma trabalhista, que obriga o pagamento de custódia ao pedido de audiência inaugural injustificadamente, sendo uma primeira condição para o ajuizamento da nova demanda, pelo princípio do reforço do direito à justiça, prevista no artigo 8º do Pacto de São José da Costa Rica, e vai de encontro à máxima concretização dos direitos fundamentais, em manifestações ao princípio que veda retrocessos sociais, também previsto no citado pacto.

Supralegalidade

Nesse ponto, o desembargador lembrou que as normas de Direitos Humanos objeto de Tratados Internacionais ratificados pelo Brasil, incluindo todas as normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), bem como os pactos internacionais, entre outros, o Pacto de Direito Civis e Políticos, o Pacto de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais e o Pacto de San Jose da Costa Rica, que tenham sido ratificados fora do quórum qualificado do artigo 5º, parágrafo 3º, da Constituição da República, possuem caráter de supralegalidade, ou seja, estão acima das leis ordinárias internas.

Inversão
A alteração trazida pela reforma trabalhista viola, ainda, o princípio da isonomia material, uma vez que desequilibra a balança da relação jurídica processual, frisou o relator. Enquanto os parágrafos segundo e terceiro do artigo 8º são direcionados apenas ao reclamante, o parágrafo 5º, segundo o qual a ausência do reclamado não é motivo para a recusa da defesa e dos documentos apresentados pelo advogado, confere privilégio injustificado ao demandado - parte mais forte da relação -, "subvertendo por completo o princípio da proteção trabalhista".

Gratuidade

Por fim, o relator ressaltou que, no ponto em questão, a reforma trabalhista descaracteriza um dos mecanismos mais concretizadores do efetivo acesso à justiça: o benefício da justiça gratuita, que tem assento constitucional no artigo 5º (inciso LXXIV).

Para o relator, a diferença de tratamento dado pelo Código de Processo de Civil, que garante a gratuidade da justiça e pela CLT, com o advento da Lei 13.467/2017, demonstra a disparidade causada pelo legislador ordinário no tratamento do beneficiário  de tal gratuidade que litiga na Justiça Comum frente àquele que litigante na Justiça do Trabalho. Sem querer ingressar no exame da constitucionalidade da norma, revelou o desembargador, o fato é que a imposição do pagamento das custas ao empregado beneficiário da justiça gratuita desafia o Direito e o Processo do Trabalho, bem como toda sua principiologia protetiva.

"Uma medida legislativa voltada para subordinar o acesso do trabalhador à justiça, um condicionamento de ajuizamento de uma nova ação ao recebimento de custas processuais, embora beneficie uma gratuidade judiciária, configure o exercício de diligência e acesso à justiça para reivindicar o dever de casa para uma análise do outontrade, é um indicador de persistência de mitigação do julgamento do fim de uma medida e de uma tentativa de recuperação da dívida final.

 

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