18 Out

STF - TST: acordado sobre o legislado – prejuízo aos empregados

Com a entrada em vigor da Lei 13.467/2017, conhecida como Reforma Trabalhista, os ditos direitos sociais (irrenunciáveis) foram, de certa forma, mitigados, ao argumento de que iria aumenta a oferta de empregos e diminuir os processos na Justiça do Trabalho e, via de consequência, a judicialização entre empregados e empregadores.

As horas in itinere, também chamada de horas de percurso, até antão, possuía amparo no oração do artigo 58, § 2º, da CLT e na Súmula nº 90 do TST. O direito às horas extras possui previsão na Constituição Federal.

A questão da validade ou não do acordado sobre o legislado está em discussão na Justiça do Trabalho. O que se debate é a possibilidade da negociação, por intermédio da norma (convenção coletiva ou acordo coletivo), onde em troca da fixação de um tempo médio, o empregador oferece outras vantagens aos empregados, bem como em detrimento da garantia constitucional dos direitos sociais.

Ocorre que, o tema chegou no Supremo Tribunal Federal.

Ao julgar a ação trabalhista de um motorista de usina, o TRT-15 negou a aplicação da norma coletiva que havia prefixado o pagamento de uma hora extra diária a título de deslocamento, com adicional de 50%, em contrapartida ao estabelecimento de outras vantagens.

A usina apresentou embargos de declaração em que pediu a suspensão do processo até julgamento definitivo do tema em repercussão geral pelo STF, mas o pedido foi rejeitado, com aplicação de multa.

No STF, a empresa usina pediu a cassação da decisão do TRT-15 e o sobrestamento da tramitação do processo.

O ministro Gilmar Mendes (Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 1121633) julgou parcialmente procedente a reclamação apenas para determinar ao TRT-15 que suspenda a tramitação da ação trabalhista, em observância ao estabelecido no parágrafo 5º do artigo 1.035 do Código de Processo Civil (CPC). O dispositivo estabelece que, reconhecida a repercussão geral, o relator no STF determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão em todo território nacional.

Todavia, na Reclamação (RCL) 36729, a usina apontou descumprimento à determinação de suspensão nacional de todos os processos que discutam validade de norma coletiva de trabalho que limite ou restrinja direito trabalhista não assegurado constitucionalmente.

Na decisão o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou ao Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região que suspenda a tramitação de recurso em que se discute a aplicação de norma coletiva sobre o pagamento de horas de deslocamento do empregado (horas in itinere) até que o STF julgue recurso com repercussão geral que abrange a matéria.

A validade da supressão de direito trabalhista não previsto na Constituição Federal, por meio de acordo coletivo, também é objeto de recurso em trâmite no STF, que teve repercussão geral reconhecida em maio/2019. Fonte: STF.

Agora, SDI-1/TST também determinou a suspensão dos processos que tratam de restrição de direitos por norma coletiva. Veja-se: “Em sessão realizada nessa quinta-feira (10/10), a Subseção 1 Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho decidiu, por maioria, suspender a tramitação de todos os processos que tratam da validade de norma coletiva que limita ou restrinja direito trabalhista não assegurado pela Constituição da República. Com a decisão, os processos ficam suspensos até que o Supremo Tribunal Federal defina tese jurídica sobre a matéria, objeto de repercussão geral”. Fonte: TST.

Evidentemente que a suspensão nacional de todos os processos que tratam do tema irá gerar sérios e incalculáveis prejuízos aos trabalhadores, pois, além de estarmos no final do ano, a tramitação no Supremo não alcançará o mesmo ritmo da Justiça do Trabalho (artigo 5º, LXXVIII, da CF e 4º do CPC/2015).

Conquanto seja determinado o desmembramento dos processos com outros pedidos, ainda assim, certamente esse procedimento poderá causar um descontrole na tramitação dos referidos feitos.

Há que se destacar que ficaram vencidos os ministros do TST Cláudio Brandão, Vieira de Mello, Lélio Bentes Corrêa, Walmir Oliveira da Costa, José Roberto Pimenta, e Hugo Scheuermann.

Como de costume, só resta aos empregados e advogados aguardar o desfecho da reclamação,

Publicado na edição de 15 de outubro de 2019.

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