30 Out

HONRARIAS, HOMENAGENS, PODER...

É verdade que ser reconhecido por conta da realização de um feito ou ação que beneficie à sociedade deve ser algo magnífico. Entretanto, com todo o respeito e a devida vênia dos que pensam em sentido contrário, não se deve reconhecer e comparar algo comum como se fosse extraordinário.

A sociedade que luta por liberdade e justiça social deve ser enaltecida, especialmente se isso ocorre de maneira solitária. Em grupos unidos, com certeza, a sociedade se torna mais forte. Porém, não se pode confundir o direito à liberdade com o interesse pessoal e particularizado.

Não se entende como proceder ao mérito, sem a indicação da razão e dos seus objetivos para com a coletividade. Exaltar sem demonstrar o real significado da ação torna-se inócuo, bem como despido de merecimento.

Devemos fazer e realizar para que possamos ser reconhecidos por nossos atos e ações.

O foco não é criticar os critérios de merecimento, mas sim, refletir sobre o significado de uma homenagem, honraria etc.

Encontra-se fincado na Carta da República: “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. Assim, quem detém o “poder” é o povo, e não os seus representantes. Também aqui, não tratamos de questão política. O viés não é esse.

A reflexão vem de encontro aos direitos da representatividade. Representar não significa ter direito individual ou plenos poderes para realizar os atos como se fossem de sua propriedade. Quem representa atua em nome de outrem; sob os direitos conferidos.

Cabe sim, estabelecer um parâmetro, uma medida para que possamos entender como se chega ao mérito da honraria, homenagem etc.

O mundo vive em sociedade organizada. Os poderes constituídos (executivo, legislativo e judiciário) encontram-se organizados, conforme suas estruturas administrativas e políticas.

Pergunta-se: de que maneira a sociedade toma conhecimento de um feito? Quem é o responsável por essa divulgação? Qual o significado dessa divulgação?

Não se trata de desmerecer o título. O que se deseja é perquirir sobre a sua motivação.

É evidente que cada tipo de título faz referência à uma situação específica, na qual reside a razão da sua própria existência. Aquele que apresenta a indicação deve realçar o motivo; aquele que recebe deve estar convicto do seu merecimento. É assim que deveria funcionar.

Quem detém o poder e a obrigação de realizar não faz mais do que a sua obrigação institucional. Ninguém exerce o poder por obrigação. Tudo depende da vontade. Logo, não se concebe enaltecer o que cumpre a sua obrigação.

A exceção é quando a ação extrapola o limite dessa obrigação, causando risco ao seu autor. Aí reside o extraordinário.

Feitos e realizações são comuns na sociedade. Agora, o que significa o extraordinário?

Acreditamos que o instituidor do Prêmio Nobel poderia nos explicar.

No dia-a-dia estamos nos deparando com reconhecimentos de ações extraordinárias, cujo escopo é prestigiar o autor do ato ou procedimento fora dos padrões normais exigidos pela sociedade. Mais do que justa são as referidas honrarias, homenagens etc.

O que não se entende é como se comparam feitos extraordinários com processos que não visam destacar aquilo que difere dos demais membros integrantes da sociedade. É isso que a própria sociedade deseja entender.

A reflexão visa dar luz ao significado dos acontecimentos extraordinários, de repercussão local, estadual ou nacional.

É necessário saldar os diferenciados. Porém, devemos sempre demonstrar o alcance e os efeitos do ato originário da honraria, homenagem etc. 

COM A PALAVRA, A SOCIEDADE.

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