Gente boa! Qual o parâmetro? 04.04.2006

Gente boa! Qual o parâmetro? 4.Abr.2006 | José Carlos Manhabusco*

O tema é incomodativo, no entanto, ouso enfrentá-lo.

Desde criança ouço falar assim: fulano é gente boa; sicrano é gente boa. Tal assertiva permanece até os dias de hoje. Sinceramente até hoje não descobri qual o critério para se estabelecer que uma pessoa é ou não gente boa.

Vou neste breve espaço tentar refletir sobre a questão, ressalvando a minha limitação pessoal diante da difícil formação. Limitação, ante ao fato de que há diferença de opinião, cujo conteúdo sempre respeitarei.

Quando do início de nosso aprendizado seguimos os ensinamentos dos orientadores. Inicialmente na fase primária. Depois no segundo grau. Ao final vamos a graduação. Em todos estas etapas possuímos educadores diferentes, com formação também diferenciada. Salvo melhor doutrina não vejo uma sintonia entre os diversos seguimentos da formação educacional. Inobserva-se um compromisso duradouro na educação. Tudo parece ser independente. Não há um conjunto de ações visando um fim comum. Ora, se inexiste um segmento para se chegar a uma formação, de que modo poderei atribuir a uma determinada pessoa o conceito de gente boa? Isso significa dizer que não se percebe uma preparação para que a pessoa seja considerada gente boa.

A sociedade tem o papel de identificar as pessoas a rotulá-las da maneira que lhe interessar. Se for amigo é gente boa. Se não for, não será gente boa. Não basta ser cumpridor de suas obrigações matrimonial, educacional, comercial etc., algo mais pessoal faz a diferença.

Penso, sinceramente, que não devera ser assim. O conceito de gente boa poderia ser mais profundo; sem agrado. Como dizia um cidadão a respeito de um profissional de conduta ilibada, mas de posição definida: "Não o quero para meu genro, mas sim para cuidar de meus interesses comerciais". Fica a pergunta: Qual a sua opinião sobre o tema?

*Conselheiro Estadual da OAB.manhabusco@hotmail.com

Final feliz 17.09.2003

Final Feliz 17.Set.2003

José C. Manhabusco*

A unanimidade de opiniões é uma coisa, senão impossível, difícil de alcançar. O exercício da democracia flutua na orla da liberdade de expressão e pensamento. Dentre os atributos da pessoa encontra-se o poder de manifestação. Podemos nos utilizar deste requisito a qualquer momento e em diversas situações. Somente que, devemos admitir, integralmente, o resultado da escolha.

Encontrava-se em fase de implantação a Associação dos Advogados Trabalhistas de Dourados. No início era apenas a pretensão de um pequeno grupo de advogados que militam na Justiça do Trabalho. Depois, a idéia foi tomando corpo com a união de mais alguns. Logo em seguida veio a discussão e a elaboração do estatuto.

Finalmente no dia 12 de setembro de 2003, às 19h, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil, foi eleita a Diretoria Executiva e o Conselho da AAT - Dourados. Integram aqueles dois órgãos 15 (quinze) membros.

Convém destacar que a eleição foi determinada pelos participantes na ocasião, sendo que a votação, através do voto secreto, determinou a escolha do Presidente e do Vice-Presidente, com a integração dos cargos pelos advogados presentes e colaboradores da iniciativa.

Ressaltando que não se trata de constituição de uma entidade paralela ou concorrente, mas sim voltada para aprimorar os conhecimentos específicos na área do Direito do Trabalho, bem como primar pelo fortalecimento da categoria, servindo de veículo comunicador entre a entidade e os representantes da magistratura trabalhista.

Para se ter uma idéia da importância da necessidade da AAT - Dourados, observa-se que atuam direta e exclusivamente na Justiça do Trabalho cerca de 50 (cinqüenta) profissionais, ou seja, um número expressivo de advogados que militam perante aquela especializada.

Mas não é só. Não basta eleição de representantes, sem que haja representatividade. A responsabilidade dos que tiveram a incumbência de dirigir a entidade é ponto alto do seu nascimento. Muito embora a idéia de geração tenha vindo de poucos advogados, a proposta teve a aceitação de grande número de advogados trabalhistas.

Lamentamos a ausência de muitos colegas, entretanto, a porta da casa encontra-se aberta para todos. As críticas são importantes, mas a participação causa maior resultado. Dar idéias, sugestões etc. é preciso, porém devem ser oferecidas espontaneamente. O que não é bom para alguns, pode ser para outros. A OAB SEMPRE SERÁ A CASA DOS ADVOGADOS.

*Advogado e Conselheiro Estadual da OAB/MS. E-mail: manhabusco@hotmail.com

Felicidade em dose dupla 25.06.2006

Felicidade em dose dupla 25.Jun.2006

José Carlos Manhabusco*

Aproveito o momento para parabenizar os pais que tiveram seus filhos aprovados no vestibular. Quanta alegria!!! Quanta felicidade!!! Parabéns!!!

Somente quem possui família sabe avaliar o quanto custa educar filhos. Fazemos todos os sacrifícios possíveis e impossíveis para ver nossos filhos cada vez mais em melhores condições.

A despesa com educação é enorme. Sem falar no custo de manutenção de um plano de saúde. Contudo, é necessário o investimento. Sempre ouvi dizer que quem casa quer casa e quem possui filhos deve educá-los.

Desejo mais uma vez dividir minha alegria com os amigos e as amigas que dedicam parte de seu tempo lendo meus escritos. A cada dia recebo incentivos, aumentando minha responsabilidade.

Tenho dois filhos: Gianncarlo e Amanda. Giann, como é tratado pelo amigos, cursa a 4º ano de Direito, na Universidade Federal, em Campo Grande (MS). Agora, tenho o orgulho de dizer que minha filha Amanda, foi aprovada no vestibular para o curso de Direito, na Universidade Federal, em Campo Grande (MS). Me faltam palavras para expressar a minha alegria e de minha esposa – Margareth. A emoção e o choro foram inevitáveis. Várias ligações foram realizadas e outras tantas recebidas. A semana foi agitadíssima.

Entretanto, na verdade desejo trazer uma mensagem de reflexão. Todo sacrifício é pouco para com os nossos filhos. Sempre desejamos o melhor para eles. Ocorre que, o exemplo deve vir da própria família; de casa.

A falta de recursos trás inúmeras dificuldades na vida. Cabe aos pais o papel de orientador dos filhos, não podendo se esquecer que é a viga mestre da unidade familiar e ao mesmo tempo paradigma.

Assim como outros pais, lutamos para que nossos filhos possam ingressar em uma Universidade Federal. Nos sacrificamos para que eles estudassem em escolas particulares, bem como fizessem curso de inglês na Cultura Inglesa.

O estudo intensivo foi imperioso. Em fim, a aprovação foi mero resultado do trabalho realizado.

Consta em um cartão enviado para Amanda: Você vai longe porque é uma pessoa persistente e não tem medo dos desafios da vida".

Tomo a liberdade de transcrever as palavras enviadas pelos padrinhos – Fandi e Maristela: Querida Amanda. Quando descobrimos nossa força interior e aceitamos os desafios que a vida propõe, não existe limites para nossos sonhos. Continue sempre com determinação, explorando os talentos que você tem! Siga nesse caminho e saiba que estamos sempre torcendo por você! Felicidades! Um grande beijo com muito carinho. Seus padrinhos Fandi e Maristela. Dourados, 18.07.2006".

Somos muito felizes, em razão de possuirmos amigos. Amigos são o maior patrimônio que podemos ter nessa terra. Os amigos nos proporcionam a ajuda que nenhum bem material pode alcançar. O dinheiro acaba, os amigos não. Pensem nisso!

A concorrência da vida não pode vencer a paz. A consideração e o respeito são atributos inerentes a boa formação da personalidade. Se não respeitamos, naturalmente não seremos respeitados.

Bem, vou tratar da outra alegria. Trata-se do presente recebido no dia do meu aniversário (18 de julho). Neste dia saiu o resultado do vestibular. Logo, dois foram os fatos. Primeiro, a aprovação. Segundo, o presente.

Da mesma forma com que o Gianncarlo embarcou para Campo Grande, a sua irmã – Amanda, segue o mesmo destino. Juntos farão uma dupla de operadores do Direito. Mais uma etapa foi vencida. Agora, virão outras.

Que Deus ilumine os seus caminhos!!! Parabéns a educadora Margareth Camargo Manhabusco pelo brilhante trabalho!!! O quadro foi pintado com cores que somente você possui a aquarela. Obrigado por terem lido meu presente. Obs.: agradeço ao Dr. Fandi (médico) pelo incentivo. Artigo revisado por Amanda Camargo Manhabusco (acadêmica de Direito).

*José Carlos Manhabusco – Conselheiro Estadual da OAB.

Contato: José Carlos Manhabusco / manhabusco@hotmail.com

Fatos relevantes 20.01.2004

Fatos Relevantes 20.Jan.2004 | José C. Manhabusco*

A cidade de Dourados vive momento de glória no que diz respeito ao ensino. Aumenta o número de faculdades, via de conseqüência o de estudantes universitários. Também há os que estudam em universidades situadas em outros estados. Todavia, cursaram o primeiro e o segundo grau em instituição de ensino deste município.

Recentemente fomos brindados com um acontecimento que acabou por confirmar a qualidade do aprendizado de nossos estudantes. Trata-se de exames realizados por uma aluna formada em Economia, na Universidade de Londrina, visando o ingresso em mestrado.

Não se pode deixar passar em branco tal acontecimento, pois significa que estamos exportando conhecimento. Havia cerca de 5000 (cinco mil) inscritos concorrendo a vagas em 12 (doze) universidades. E mais, das 6 (seis) escolhidas, a aprovação foi nas universidades de Florianópolis, Fortaleza, Recife e Católica de Brasília (UCB).

Tendo em vista o destaque a nível nacional e internacional, o convite recebido, bem assim a proposta de bolsa, o mestrado será realizado na UCB em Brasília (DF). Parabéns ao Viti, a Nena e a Gabrielle Pagliuse Paes de Lima (Gabi).

*** Dando prosseguimento aos acontecimentos vamos enfatizar a iniciativa de um médico especializado na área de cardiologia. Em princípio não fomos autorizados a declinar o nome do mesmo. Tomamos a iniciativa de relatar o ocorrido, pois de suma importância para a comunidade. Referido profissional acaba por constituir uma fundação, cujo objetivo é o atendimento, gratuito, aos que possuem mais de 65 anos de idade. É claro que o serviço deverá ser prestado aos necessitados economicamente. Uma casa já foi doada para funcionar como centro de atendimento. Não nos interessa quando e como será o procedimento voluntário, mas sim que à vontade de atender aos que precisam de ajuda deve merecer toda a admiração e louvor, bem como ser objeto de exemplo para outros profissionais. Parabéns, Doutor.

*** Outro caso é o dos índios. Historicamente o primeiro a ter a posse das terras foram os índios. Com o passar dos tempos o Governo outorgou o direito da posse e propriedade aos que requeriam a concessão. Não há qualquer vício na aquisição. Agora, invadir o espaço alheio sem qualquer motivo, apenas alegando que são donos das terras, não justifica o ato, nem o apoio das autoridades. Cediço que as reuniões não dariam certo. Não há acordo quando uma das partes é irredutível. A Justiça tinha pleno conhecimento de que seria impossível chegar a um consenso. Em que pese à boa vontade do Procurador da República, os índios resistem. A posse e o domínio são garantias constitucionais. Com palavra a FUNAI.

*Advogado trabalhista e Conselheiro Estadual da OAB/MS. E-mail: manhabusco@hotmail.com

Farinha pouca, meu pirão primeiro 14.03.2006

Farinha pouca, meu pirão primeiro 14.Mar.2006 | José Carlos Manhabusco*

Muito se tem falado sobre atitude corporativista. Seja na política, seja nas profissões liberais, seja nos "poderes constituídos", o corporativismo sempre encontrou porto seguro. De certo que não poderia ser diferente.

Vejamos o que significa a expressão corporativismo na visão de Aurélio: "Defesa dos interesses ou privilégios de um setor organizado da sociedade, em detrimento do interesse público"

No entanto, corporativismo não significa reserva de mercado, ou proteção aos que agem de maneira contrária ao direito e a boa-fé. Com ressalva ao pensamento contrário, reunir-se para tratar de seus interesses de forma coletiva não significa ser corporativista, mas sim, diligente e organizado.

A sociedade, como um todo, deveria ser organizada para que pudesse postular seus anseios com mais força e propriedade. Individualmente cada cidadão pouco, ou nada, pode fazer. Como exceção à citada regra apenas podemos citar o direito de voto.

À prova da força da união são os centros de tradições, as lojas maçônicas, as entidades que atuam filantropicamente, os clubes de serviços, todos buscam agregar e trabalhar em conjunto para um fim maior. O exemplo deveria ser seguido.

Entretanto, não basta o trabalho voluntário sem que o trabalho seja dirigido de forma compacta e objetiva. O poder da força é avassalador, evidentemente quando utilizada para o bem.

Ser chefe, superior, comandante etc. é muito bom, eis que no ápice da pirâmide. Ocorre que há certa confusão entre o que é próprio e o que pertence aos outros.

O exercício da administração dos interesses de outras pessoas visando resguardar os bens conquistados não deve ser realizado com o intuito de prejudicar os outros, mas sim, de empenho na produção de valores melhores e compatíveis com o mercado. O procedimento é nocivo quando foge destes princípios.

Ao assumir a representação de determinada coletividade, o legitimado dever ter em mente, especialmente, a evolução profissional, sob pena de trazer mais prejuízos do que benefícios.

*Conselheiro Estadual da OAB/MS. E-mail: manhabusco@ hotmail.com

Falta de Respeito 18.04.2006

Falta de Respeito 18.Abr.2006 | José Carlos Manhabusco

Pretendo abordar duas questões que, ao meu ver, merecem ser recordadas.

A primeira diz respeito ao tratamento das pessoas integrantes de um mesmo grupo social ou profissional.

É tradição na educação que ao recebermos pessoas em nossa "casa" façamos a apresentação dos demais componentes daquele agrupamento familiar ou profissional. À prática faz parte do respeito as regras de trato social, sem o qual, certamente, seremos rotulados e taxados de mal educados.

De certa forma o procedimento pode ser visto como uma estratégia de defesa, pois a presença de eventuais estranhos pode significar perigo aos objetivos traçados pelas supostas lideranças.

Todavia, o fenômeno ocorre de maneira isolada, isto é, não é visto e praticado por todas as sociedades. Vale lembrar que, se inexiste consideração com os representantes legítimos, que dirá com os participantes, sem nenhum poder de decisão?

A reflexão torna-se necessárias para demonstrar que o ser humano, ainda não sabe viver em grupo sem tentar tirar proveito de sua posição social, econômica, profissional, não resistindo ao convívio com outras pessoas capazes de cumprir de maneira correta os mesmos ideais.

No tocante a segunda questão, trata-se da utilização da máquina pública para promoção dos interesses privados e individuais.

Quando falo de máquina pública, também desejo fazer menção a coisa pública de um modo geral, e não apenas em nível de órgãos ou repartições públicas.

A utilização dos instrumentos e bens pertencentes a uma comunidade, sociedade, instituição, órgão de classe etc., para promoção pessoal, não é só falta de ética, como igualmente abusivo e deselegante.

O dirigente deve ter realizado a missão com sucesso, cumprindo à sua obrigação, seja estatutária, seja regimental, objetivando o interesse da coletividade, jamais o individual.

A busca pelo destaque pessoal atenta contra os pilares da própria democracia, na medida em que fere o princípio da igualdade ou isonomia. Evidentemente que o detentor do poder terá maiores recursos e meios para realizar a divulgação de seus anseios.

O respeito ao direito à dignidade da pessoa humana e ao estado democrático de direito deve ser obrigação de todos, independentemente de classe e poder.

Conselheiro Estadual da OAB. E-mail: manhabusco @hotmail.com

Onde está o Estatuto do Idoso 11.11.2003

Onde está o Estatuto do Idoso 11.Nov.2003 | José Carlos Manhabusco*

Recentemente tivermos o lançamento do Estatuto do Idoso. O Presidente da República divulgou o feito como se fosse um troféu conquistado a duras penas e com força total.

A população ficou emocionada. Todos comentaram a iniciativa. Foi uma verdadeira festa. A valorização do idoso estava em alta, sendo que, nem eles acreditavam no feito. Até aí, tudo andava muito bem.

Não é segredo que as fraudes acontecem. Também não é segredo que há um empenho em coibi-las. A luta é constante para descobrir o ralo. Há resistência; esquemas; tentativas de suborno etc. A maneira com que se ataca problema pode não se eficiente, mas o que se deve fazer é não partir do princípio de que todos são desonestos ou querem levar vantagem até que se prove o contrário.

A Constituição Federal da República traduz a proposição de que "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza". Ora, é direito daquele que contribuiu por tantos anos ou adquiriu a condição de aposentado, em decorrência da lei, a garantia do recebimento de seu benefício, sem qualquer constrangimento, até que se demonstre, legalmente, a razão do impedimento.

A Previdência Social é organizada sob a forma de regime geral, atendendo, entre outras, a cobertura dos eventos de doença, invalidez e idade avançada, sendo que o recebimento do benefício é uma necessidade de caráter alimentar. Os que se beneficiam do recebimento já provaram a sua condição e cumpriram os requisitos legais.

Infelizmente, no momento em que nasce o "estatuto do idoso" o Governo desfere um golpe de morte, uma verdadeira covardia com os que recebem benefício da previdência social, com mais de 90 (noventa) anos de idade.

O ministro Ricardo Berzoini, para combater fraudes em aposentadorias, determinou que os mesmos fossem obrigados a se recadastrar no INSS, sob pena do não recebimento do beneficio.

A idéia foi brilhante (?). Ao invés de determinar que os fiscais fiscalizassem, resolveu punir os idosos com a obrigatoriedade do comparecimento pessoal a Autarquia Federal para confirmarem a sua existência. Naturalmente, que não houve tumulto ou desespero dos que precisavam comprar remédios (?). Nem enfrentaram filas enormes, ficando expostos ao sol, calor e demais contratempos.

Não se trata de criticar a atitude do ministro, mas demonstrar que o critério escolhido foi por demais infeliz. Mais uma vez a dívida deve ser paga por aquele que nada fez ou participou da ação delituosa. Se há rombo o responsável não é o idoso. Não devemos esquecer que o idoso de hoje foi o jovem de ontem, e que, o jovem de hoje será o idoso de amanhã. QUE SEJA RESPEITADA A DIGNIDADE DO IDOSO.

*Advogado e Conselheiro Estadual da OAB/MS. E-mail: manhabusco@hotmail.com

Era uma vez um Presidente... 27.01.2004

Era uma vez um Presidente... 27.Jan.2004 | José Carlos Manhabusco*

A estória poderia ser contada em verso ou prosa, mas a realidade não nos permite brincar com coisa séria. Estamos fazendo referência aos últimos acontecimento que procedem do Governo federal.

Em que pese os inúmeros programas sociais, solicitando a colaboração e o empenho da sociedade, ainda assim, resta caixa para aquisição de um avião para conduzir a comitiva presidencial. Falou-se muito da gestão anterior. Agora, parece que o dever de casa não está sendo feito da maneira como foi prometido ao povo.

A dança de ministros serve para acomodar os acordos políticos. Até ai, não há motivo para alarde, na medida em que sabemos que para governar, no regime em que nos encontramos, necessário a sustentação política no Congresso Nacional.

Entretanto, não se pode admitir que na situação em que o país vive, a beira de um colapso social, onde os pobres estão cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais rico, não havendo a efetiva distribuição da renda, os governantes achem normal o investimento em um bem de altíssimo custo, sendo que ainda existem pessoas passando fome.

A realidade é outra nos diversos níveis da sociedade, inclusive no Governo. Imaginem se o Prefeito e o Governador resolvem também adquirir um bem deste tipo para transportá-los? Certamente que o passivo irá aumentar em muito.

Evidentemente que há outras prioridades. Não podemos admitir que o Presidente não tenha consciência da crise em que vivemos. A questão social está sem controle. A busca por mais recurso é a mesma dos presidentes anteriores. O objetivo é arrecadar cada dia mais; criar mais tributos.

Paga-se para nascer, para viver e para morrer. Que absurdo! Onde vamos parar?

A cada dia o padrão de vida (?) fica mais baixo; adquirimos menos bens, sequer as vezes conseguimos manter o que possuímos. Lamentável, que vida!

Nós acreditamos que os dias piores haviam passado. Só resta esperar pela boa vontade dos que detém o poder, rezando para que algum dia olhem, de fato, para os menos favorecidos.

Como no domicílio, a mudança somente se opera quando se transfere a residência com a intenção manifesta de mudar. O Governo prometeu mudanças. Logo, estamos aguardando. Ainda bem que sonhar não custa nada. BRASIL MOSTRA A TUA CARA!

* Advogado trabalhista e Conselheiro Estadual da OAB/MS. E-mail: manhabusco@hotmail.com

Empate técnico / 27.05.2003

EMPATE TÉCNICO / 27.Mai.2003 

José C. Manhabusco*

 

O Presidente da República em recente pronunciamento fez referência a abertura da "caixa-preta" do Poder Judiciário. Também enfatizou que havia o "engavetamento" de processos. Naturalmente os comentários não foram com o sentido de denegrir a imagem do Pode Judiciário, até porque esta não é a função do chefe da nação, mas sim trazer a debate a questão da transparência dos atos e procedimentos judiciais. Pois, bem.

Na semana passada os ministros do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio e do Tribunal Superior do Trabalho, Francisco Fausto, registram suas indignações com a conduta do Presidente Lula, fazendo este último, alusão a "caixa-preta" da Previdência Social. Então, a disputa teve seu início.

O Governo, através do órgão competente, publicou a relação dos seus maiores devedores mostrando para população que estava disposto a cumprir o seu papel de tornar público a real situação das contas do INSS e o porque da baixa arrecadação das contribuições previdenciárias.

Para surpresa e alegria, na semana passada o ministro Francisco Fausto, então Presidente do Tribunal Superior do Trabalho, disse que iria publicar a relação, dos últimos dez anos, dos magistrados que tiveram seus assentamentos funcionais alterados por conta de conduta incompatível com aquela justiça especializada. Não vamos nos aprofundar nos fatos, pois não nos diz respeito, bem como não é objeto deste comentário.

Desta forma, com a abertura da "caixa-preta" da Previdência Social e com a pretensão de publicação por parte da Justiça do Trabalho dos magistrados recalcitrantes, a disputa pela transparência encontra-se empatada, isto é, Poder Executivo 01 x Poder Judiciário 01.

O povo fica torcendo para que haja um empate com placar mais elástico. Tipo: 10 x 10; 20 x 20; 30 x 30 etc. Nesta partida todos nós sairemos vencedores. Parabéns aos que dirigem os Poderes pela iniciativa de tornar pública as questões que antes estavam afetas apenas aos seus integrantes.

De qualquer forma a mensagem do Presidente Lula surtiu efeito. No início a censura imperou. Todavia, com o passar dos dias notou-se que a intenção foi salutar e imperiosa. O cumprimento da promessa de tempos melhores deve prosseguir.

Encerro este episódio dizendo que fiquei muito feliz de poder registrar o acontecimento. Se não é o melhor para todos, entretanto aponta para um norte positivo e de esperanças.

Queremos um Poder Judiciário forte. Queremos um Poder Legislativo forte. Queremos um Poder Executivo forte. O que de fato não queremos é que a independência acabe com a harmonia; que as forças sejam utilizadas de maneira individual, e não coletiva, para o bem da comunidade. O bem que administram pertence ao POVO. Que venha um novo empate no placar!

*Advogado e Conselheiro Estadual da OAB/MS E-mail: manhabusco@hotmail.com

Eleição, uma questão de ordem. / 30.09.2003

Eleição, uma questão de ordem 30.Set.2003 | José Carlos Manhabusco*

Uma das profissões mais antiga do mundo prepara-se para escolher seus dirigentes para o triênio 2004/2006. Estarão concorrendo os candidatos à Presidente do Conselho Federal, das Seccionais e das Subseções, além dos conselheiros federal e estadual, bem como os demais integrantes das respectivas diretorias.

Cumprido os requisitos determinados pelo Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil e da regulamentação advinda do Conselho Federal, os advogados exercerão a soberania profissional, através do direito de voto direto e secreto, com valor igual para todos.

Como nas eleições para cargos políticos (deputado, vereador, etc.), começou a agitação nos bastidores. Os grupos procuram preparar as estratégias. Reuniões acontecem. Pesquisas são realizadas. Observam-se as movimentações. Tudo ocorre dentro de um clima de normalidade.

Cumpre destacar a iniciativa de alguns advogados, em tentar aglutinar todos os advogados da Subseção de Dourados na composição de uma chapa única. Foram realizados vários encontros neste sentido. Louvável a pretensão, pois traduz o amadurecimento de uma classe que busca a unidade em detrimento da competição. Sem sobra de dúvidas a união surte maior efeito prático.

No estado, 03 (três) candidatos concorrem à Presidência da Seccional. As visitas aos escritórios ocorrem com freqüência. A campanha toma corpo e força na Capital e no interior. Em nossa cidade não poderia ser diferente. Os adesivos são colados nos veículos. Os advogados comentam os programas e as metas dos candidatos. O debate está em curso.

Ao que tudo indica, teremos também vários pretendentes ao cargo de presidente da subseção, sem contar nos componentes da diretoria e conselho local. A busca pela escolha passa pelo contato direto com os advogados, além da análise curricular; de prestação de serviços. A bem da verdade a campanha passa a ser profissional, vez que o que se pretende é uma Ordem independente; atuante; e, acima de tudo, em defesa das prerrogativas do advogado.

A ausência de hierarquia e subordinação entre os advogados e os integrantes da magistratura e do ministério público fazem com que o tratamento deve ser procedido com consideração e respeito recíprocos.

Não é a toa que a única profissão recepcionada pela Constituição Federal é a de advogado, sendo este indispensável à administração da justiça, bem como inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, resguardado os limites da lei. QUE VENHA A ELEIÇÃO, MAS DE FORMA DEMOCRÁTICA.

* Advogado. E-mail: manhabusco@hotmail.com

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